sexta-feira, outubro 20, 2006

conversa de cafe

Durante este tempo de desempregada, ganhei o hábito de depois do almoço, pegar num livro, ir até ao café junto à praia, pedir um chã de qualquer coisa, e passar um horita relaxada a ler. Ontem, como nos outros dias, segui esta rotina. Mas talvez devido ao mau tempo, o café estava cheio de clientes. Nada mau para o proprietário. Só havia algo diferente dos outros dias. Mesmo ao meu lado, encontrava-se um grupo de "velhotes", bem dispostos e conversadores, aliás, muito conversadores. Falavam tão alegremente entre eles, que as pessoas que se encontravam no café, não conseguiam ouvir o seu próprio cérebro. "Partilhavam" com os restantes clientes, as suas histórias, e é por isso que eu hoje sei, que eles costumam ir em escursões, que na sua última viagem, não poderam trazer as garrafitas azuis que normalmente trazem, e que o coitado do marido de uma senhora muito elegante, esteve mal dos intestinos. Talvez tenha sido aqui o limite entre informações interessantes e o excesso de informação. É engraçado verificar, que em algumas situações de convívio, acabamos por dar informações completamente desnecessárias, mas fala-se e depois já não há volta a dar, a esperança reside em que os outros não deem importância e acabem por esquecer. Pois a mim parece-me que intestinos do senhor agradecem alguma privacidade, não tem no sangue o espírito de figura pública.