quinta-feira, setembro 07, 2006

pontosnosii

Este mês na revista pontos nos ii: «ENTRE vista à ministra da Educação
Foto: Martim Borges

Maria de Lurdes Reis Rodrigues tomou posse como ministra da Educação do XVII Governo Constitucional no dia 12 de Março de 2005, um mandato pautado pela forte contestação por parte dos sindicatos e dos professores. A mudança do Estatuto da Carreira Docente não tem sido pacífica, como, aliás, nada o tem sido na Educação, nos últimos anos. As alterações ao sistema educativo sucedem-se. As reformas surgem em catadupa e muitos são os especialistas que acusam: «Cada uma é pior do que a outra!» Esta é uma revista de Política de Educação, pelo que, desde o primeiro número, pedimos a Maria de Lurdes Rodrigues que nos concedesse uma entrevista. Sempre em vão. A última tentativa foi feita em carta registada com aviso de recepção. Mas a ministra considerou que «não era oportuno». O silêncio é a arma do Ministério da Educação. Não raro, nas páginas dos diferentes órgãos de Comunicação Social lê-se «tentamos, sem sucesso, obter um depoimento do ME», ou «contactado o ME, não conseguimos qualquer resposta». Mesmo a Pontos nos ii tem dado conta desta situação em quase todas as suas edições. Desta feita, e na impossibilidade de entrevistar a ministra na abertura do ano escolar, deixamos este trabalho de ficção, em que recorremos a declarações feitas por Maria de Lurdes Rodrigues. É a «entre vista» possível a quem gere (mal) o silêncio.»

No final da entevista ficticia pode-se ler um breve historial da carreira da Senhora Ministra: «Uma carreira feita no ISCTE O Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE) foi quase uma casa-mãe para Maria de Lurdes Rodrigues. Nascida em Março de 1956, foi naquele mês, mas 49 anos depois, que assumiu o cargo de Ministra da Educação, depois de fazer a licenciatura, o doutoramento e as provas de agregação em Sociologia no ISCTE de que foi, ainda, presidente do Conselho Científico, em 2004/2005. Docente daquela instituição, foi investigadora no centro de Investigação e Estudos em Sociologia, presidente do Observatório da Ciência e das Tecnologias do Ministério da Ciência e Tecnologia, representante nacional no Grupo Indicadores para a Sociedade da Informação (WPIIS) da OCDE, e no Working Party of R&D and Innovation Survey, do Eurostat. Os seus pares julgam-na competente e tanto no Partido Socialista como na oposição reconhecem-lhe seriedade, mas pouca simpatia e, sobretudo, "pouco tacto e habilidade política". E alguns vão mais longe: "Chega a ser grosseira! O que não se compagina com o cargo que ocupa..." A actual Ministra da Educação participou, também, na instalação do Arquivo Histórico-Social na Biblioteca Nacional de Lisboa e é autora de diversos trabalhos, sobretudo nas áreas da Sociologia das Profissões e Sociedade da Informação.» Esta leitura fez-me pensar que o nosso Primeiro colocou no cargo de Ministro da Educação a pessoa ideal para destruir a profissão de professor, pois o conhecimento ela tem-lo todo. pontosnosii