Luso e Buçaco
A minha última visita por estes lados.
A norte de Coimbra, Luso é uma agradável estância termal cuja famosa água mineral jorra livremente das suas fontes. No século XI estava relacionada com o Mosteiro de Vacariça bem antes das suas águas quentes se tornarem populares no século XVIII.

Palacete: Palacete neo-manuelino ao gosto ecléctico da época, com claras inspirações no Claustro dos Jerónimos, na Torre de Belém e no Mosteiro de Santa Cruz, Coimbra. Interiores neo-manuelinos e neo-renascença. O Palace Hotel inclui azulejos de Jorge Colaço com cenas de Os Lusíadas, de Autos de Gil Vicente e da obra Menina e Moça de Bernardim Ribeiro, datados de 1906, inúmeros trabalhos neo-renascentistas da Escola Livre das Artes do Desenho, onde pontificava João Machado, autor das esculturas dos nichos do paramento oposto ao torreão, para além das pinturas de António Ramalho, Carlos Reis (cenas medievais do Grande Salão), João Vaz, Ernesto Condeixa e esculturas de Costa Mota (Menestrel a tocar alaúde) e de Costa Mota Sobrinho.
CONVENTO DE SANTA CRUZ DO BUÇACO
Convento foi fundado em 1628 e pertencia aos religiosos Carmelitas Descalços.
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas o convento passou para posse do Estado, sendo mais tarde, parcialmente destruído, para dar lugar ao "Palace" e a novas construções que ainda hoje o rodeiam e que praticamente escondem o que resta do antigo convento. Mesmo assim o Convento ainda guarda muito património: azulejos, artigos de artilharia, etc.
Cronologia: 1628 - Fundação do Convento dos carmelitas descalços, nas matas e terras pertencentes ao Bispado de Coimbra e sitas na Serra do Luso, sendo o primeiro responsável Frei Tomás de S. Cirilo; 1638 / 1646 - fundação da Ermida de Nossa Senhora da Expectação; 1641 - fundação da Ermida de São José; 1644 - data inscrita na capela de São José; 1646 - fundação da Ermida do Santo Sepulcro; 1648 - D. Manuel de Saldanha manda erguer a primeira pedra na Cruz Alta; 1650 - fundação da Ermida de São João do Deserto; 1651 - fundação da Ermida de São Miguel; 1694 - data inscrita em escudo na Ermida do Calvário; 1694 / 1695 - edificação das Capelas de São João da Cruz, São Pedro, Santa Maria Madalena, Santo Antão, Samaratina e das 20 Capelas dos Passos sob a égide do Bispo-Conde D. João de Melo; 1781 - data inscrita na abóbada semi-esférica do cruzeiro da igreja; 1810 - o general Massena sofre pesada derrota por Wellington por altura da Invasão Francesa; 1834 - extinção das Ordens Monásticas; 1878 - reforma da Fonte da Samaritana; 1887 - encomenda de projecto, não concretizado, a G. Roda e Figli, de Turim com o objectivo de transformar o ermitério buçaquino em frondoso parque, segundo a aspiração de D. Maria Pia; 1887 - Luigi Manini risca projecto de palacete régio, destruindo o convento, à excepção da igreja e claustro; 1888 - início dos trabalhos sob a direcção de Ernesto Lacerda; 1897 / 1899 - datas gravadas em cartelas neo-renascença; 1899 - Nicola Bigaglia intervém nas obras do Buçaco, ainda sob o projecto geral de Manini, construindo a Casa dos Cedros; 1901 - data gravada em cartela na Grande Sala da Mesa; 1902 - novos projectos de ampliação do italiano Manini; 1903 - José Alexandre Soares risca alguns pormenores arquitectónicos incluídos na obra; 1905 - Manuel Joaquim Norte Júnior projecta edifício anexo às estruturas de Bigaglia e de Soares, obra que viria a funcionar como pavilhão real.
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