
"A Quinta das Lágrimas, cuja origem se perde nos séculos, foi o cenário dos amores proibidos do príncipe Dom Pedro por Dona Inês de Castro, uma fildalga galega que servia de dama de companhia a sua mulher Dona Constança. Diz a lenda que foi na Quinta das Lágrimas que Dona Inês chorou pela última vez, enquanto era trespassada pelos punhais dos três fidalgos a quem Dom Afonso IV, Rei de Portugal, ordenara a sua morte. As lágrimas então derramadas inspiraram Luís de Camões a criar o nome de Fonte das Lágrimas e muitos outros escritores a consagrar o amor eterno de Pedro e Inês."
"A estrofe 135 do Canto III de "Os Lusíadas", mandada gravar numa pedra calcária por Lord Wellington, e que se encontra junto à Fonte dos Amores, continua a ajudar a eternizar a lenda, até porque, no dizer de Camões:
"As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome amores"
Na propriedade existem duas nascentes que foram compradas pela Rainha Isabel de Aragão para abastecer de água, através de um pequeno aqueduto, o Convento de Santa Clara-a-Velha e, naturalmente, o Paço Real, que ficavam ali bem perto.
A existência de duas caleiras - uma directamente ligada à mina e consequentemente à Fonte Primitiva cujo acesso é marcado por uma porta do Século XIV e a outra ligada à chamada Fonte da Tradição - que se unem no "Cano dos Amores", permitiu acrescentar à história de Pedro e Inês um detalhe de grande graciosidade: a água transportava as mensagens que iam e vinham do Paço Real.
Foi também essa água que ficou vermelha após a morte de Dª. Inês. Na verdade há uma alga chamada Hildenbrandia Rivularis que vive na água doce e é vermelha. A sua coloração é visível na Fonte das Lágrimas, mas é certo que Hildenbrandia Rivularis jamais poderá concorrer com a cor vermelha do sangue de Dª. Inês!..."
E foi com todo este romance histórico que eu fiz uma visita à famosa quinta. Muito triste fiquei, quando verifico que o espaço da lenda se encontra descuidado, provocando a sensaçao de abandono.
O Hotel, esse sim, cuidado e de alta qualidade, encontra-se rodeado de pequenos campos de golfe, não transmitindo qualquer intensão de fazer salientar as fontes como atractivo para a sua preferência.
Para quem cresceu a fantasiar os amores e os infortunios de Pedro e Inês, a visita à Quinta das Lágrimas é uma desilusão.
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