quinta-feira, março 30, 2006

Poesia de Mulher 4

Sou de vidro

Lídia Jorge

Meus amigos sou de vidro Sou de vidro escurecido Encubro a luz que me habita Não por ser feia ou bonita Mas por ter assim nascido Sou de vidro escurecido Mas por ter assim nascido Não me atinjam não me toquem Meus amigos sou de vidro

Sou de vidro escurecido Tenho fumo por vestido E um cinto de escuridão Mas trago a transparência Envolvida no que digo Meus amigos sou de vidro Por isso não me maltratem Não me quebrem não me partam Sou de vidro escurecido

Tenho fumo por vestido Mas por assim ter nascido Não por ser feia ou bonita Envolvida no que digo Encubro a luz que me habita

1 Comments:

Blogger Rael said...

Somos dois! Contudo o meu "problema" é um pouco diferente... Quando olho o espelho reconheço-me, mas tenho um problema, pois mas não observo como pareço… contemplo um feixe de luz…

O existir vai muito alem daquilo que somos pelo menos sob um aspecto físico - tangível - naquilo que os outros vêem quando observam-nos, ou naquilo que vemos quando olhamos ao espelho. Somos mais, muito mais, o que transmitimos e pensamos coloca-se como reflexo daquilo que somos e sentimos, isso certamente ressoa no nosso intimo tal como sinos em catedrais. Não se fica por uma mera forma carnal ou por aquilo que ostentamos!

Tens problema semelhante?

sexta-feira, março 31, 2006 5:22:00 p.m.  

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