Poesia de Mulher 4
Sou de vidro
Lídia Jorge
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Encubro a luz que me habita
Não por ser feia ou bonita
Mas por ter assim nascido
Sou de vidro escurecido
Mas por ter assim nascido
Não me atinjam não me toquem
Meus amigos sou de vidro
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
E um cinto de escuridão
Mas trago a transparência
Envolvida no que digo
Meus amigos sou de vidro
Por isso não me maltratem
Não me quebrem não me partam
Sou de vidro escurecido
Tenho fumo por vestido
Mas por assim ter nascido
Não por ser feia ou bonita
Envolvida no que digo
Encubro a luz que me habita
1 Comments:
Somos dois! Contudo o meu "problema" é um pouco diferente... Quando olho o espelho reconheço-me, mas tenho um problema, pois mas não observo como pareço… contemplo um feixe de luz…
O existir vai muito alem daquilo que somos pelo menos sob um aspecto físico - tangível - naquilo que os outros vêem quando observam-nos, ou naquilo que vemos quando olhamos ao espelho. Somos mais, muito mais, o que transmitimos e pensamos coloca-se como reflexo daquilo que somos e sentimos, isso certamente ressoa no nosso intimo tal como sinos em catedrais. Não se fica por uma mera forma carnal ou por aquilo que ostentamos!
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